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Zoogeografia
A zoogeografia é o ramo das Ciências Naturais que estuda a distribuição global das espécies animais.
Por que na Austrália encontramos apenas mamíferos marsupiais?
Por que as espécies de peixes das principais bacias do Brasil são, em geral, das mesmas famílias que as espécies de peixes da África?
Por que os desertos apresentam uma fauna tão específica? Qual a origem de espécies que ocorrem apenas em uma região, as espécies endêmicas?
Essas são algumas das perguntas que os estudiosos da Zoogeografia procura responder.
Para alcançar seu objetivo, os cientistas têm de recorrer aos conhecimentos na área de geologia, paleontologia, ecologia e evolução.
De modo geral, a distribuição dos animais que hoje observamos está intimamente relacionada a eventos que ocorreram no passado.
Nesse sentido, a paleontologia e a geologia são essenciais.
A paleontologia contribui no sentido de dizer onde viviam as espécies mais aparentadas com o grupo cuja distribuição estudamos, através do estudo do registro fossilífero.
A geologia, concentrando-se no estudo das rochas, traz informações sobre dois fenômenos determinantes na dinâmica das populações animais: a deriva continental e as variações climáticas.
Segundo a teoria da tectônica de placas, toda a crosta terrestre é composta de placas que ao longo dos tempos se deslocam produzindo a chamada deriva continental.
Assim, as várias massas de terra e os oceanos que hoje conhecemos, no passado estavam organizados de outra forma.
Há 400 milhões de anos, por exemplo, havia apenas dois super-continentes: a Gondwana, formada pela atual América do Sul, Austrália, África, Antártida e Índia; e a Laurásia, formada pela atual América do Norte, Europa e Ásia.
Passados mais 150 milhões de anos, todos os continentes encontravam-se unidos numa única massa, a Pangea. Dessa forma, os continentes sempre foram (e estão) movendo-se lentamente, adquirindo diversas conformações.
Toda a evolução dos animais ocorreu paralelamente ao movimento dos continentes, por isso estão intimamente relacionadas.
A ocorrência na Austrália de praticamente apenas mamíferos marsupiais, deve-se ao fato de que o aparecimento dos mamíferos placentários ter ocorrido numa época em que a Austrália já encontrava-se separada dos demais continentes.
Assim, poucos mamíferos dispunham de características que lhes permitissem atravessar oceanos e alcançar aquele continente distante.
A explicação para as semelhanças da fauna da África e da América do Sul também está na deriva continental. Durante a maior parte da história da Terra, esses dois continentes estiveram interligados, portanto, grande parte da evolução de seus grupos animais ocorreu conjuntamente.
Como foi mencionado, fenômenos climáticos também podem influenciar a distribuição dos animais.
Nesse caso, não estamos falando do fato de um dia ou um mês que choveu mais ou menos, referimo-nos a alterações climáticas globais.
Em certos períodos da história da Terra ocorreu, por exemplo, um intenso esfriamento, as chamadas Eras Glaciais ou Glaciações.
Um dos efeitos dessas Glaciações, além da extinção de várias espécies, é a redução do nível do mar.
Entre 200 mil e 12.000 anos atrás, uma dessas glaciações expôs uma estrita massa continental que ligava a América do Norte à Sibéria.
Hoje, esta ponte de terra, a Beríngia, está submersa, mas na época permitiu que várias espécies animais passassem de um continente ao outro, entre elas estava o homem.
Não apenas fenômenos globais interferem na distribuição dos animais no planeta, características das espécies e do meio ambiente local ou regional também são determinantes para estabelecer sua ocorrência.
Esses são aspectos estudados pela ecologia e pela evolução: a competição, a especiação, o isolamento geográfico, a dispersão, etc... Não é difícil perceber, por um lado, que alguns organismos jamais seriam capazes de sobreviver em outros ecossistemas pois ao longo de sua evolução foram selecionadas características que os tornaram altamente adaptados para um tipo de habitat.
Animais que vivem no deserto, por exemplo, têm de suportar altas temperaturas diurnas e sobreviver com pequenas quantidades de água, sempre evitando a perda do fluido.
Tamanha transformação na fisiologia e no desenvolvimento do ser depende de um longo processo de seleção natural, portanto, poucos animais possuem caraterísticas que lhes possibilitem sobreviver.
Paralelamente, a capacidade de sobreviver e se reproduzir em um dado ecossistema também depende das interrelações entre os organismos.
Por exemplo, um animal que se alimenta de certos animais possui estruturas para capturá-los e em um novo ambiente onde sua presa não ocorre seria impossível sua sobrevivência.
Desse modo, a distribuição de uma espécie pode ser restrita pela ausência de sua presa, pela competição com outro predador, ou mesmo pela necessidade de simbiontes para viver.
Em suma, podemos concluir que inúmeros fatores são determinantes no estabelecimento da distribuição das espécies animais e não é uma tarefa fácil desvendar as causas por trás dessa distribuição.
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